
Economia
Reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva provoca forte reação dos investidores; Ibovespa acumula perdas de 18,12%, enquanto dólar fecha a R$ 5,44 e empresas listadas na B3 perdem R$ 963 bilhões em valor de mercado.
REDAÇÃO | Economia
O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana de 26 a 30 de outubro sob forte turbulência após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reação dos investidores provocou uma sequência de quedas na Bolsa de Valores e uma expressiva valorização do dólar, em meio à revisão das expectativas econômicas para o próximo período de governo.
O Ibovespa, principal indicador da B3, fechou a sexta-feira (30) aos 167.921,80 pontos, com recuo de 0,75% no dia. No acumulado da semana, a desvalorização chegou a 18,12%, configurando o pior desempenho semanal desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.
A pressão também atingiu o mercado de câmbio. O dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 5,446, com alta diária de 1,09%. Na semana posterior à votação, a moeda norte-americana acumulou valorização de 9,15%, a maior alta semanal desde a crise financeira internacional de 2008.
Um dos principais fatores por trás da instabilidade foi a mudança das expectativas dos investidores em relação ao resultado eleitoral. Parte do mercado apostava na vitória da oposição e esperava uma agenda econômica com maior ênfase no ajuste das contas públicas. A confirmação da reeleição de Lula levou à revisão dessas posições e ampliou a cautela em relação à política fiscal e aos rumos da economia.
O movimento também provocou perdas expressivas no valor de mercado das companhias brasileiras. Levantamento divulgado pelo InfoMoney, com dados da consultoria Elos Ayta, aponta que as empresas listadas na B3 perderam aproximadamente R$ 963 bilhões em valor de mercado ao longo da semana.
O impacto foi particularmente intenso em setores ligados ao consumo interno, como varejo, bancos e construção civil. Em contrapartida, empresas exportadoras e companhias com receitas vinculadas ao dólar apresentaram maior resistência à turbulência.
Além das incertezas domésticas, o cenário internacional contribuiu para aumentar a aversão ao risco, com oscilações nos mercados externos e preocupações envolvendo empresas de tecnologia.
A atenção dos investidores agora se volta às decisões econômicas do governo, à composição da equipe ministerial e às sinalizações sobre o controle das despesas públicas. A condução da política fiscal e as perspectivas para os juros serão determinantes para a recuperação da confiança e do mercado acionário brasileiro.
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